O espaço é o caminho formado
Pela ausência de cada pedaço
Que compõe o meu sofrer
É não ter o propósito claro
Que me faça em um dia errado
Gentilmente escarnecer
Encho a cara
Bato no peito
Digo: vida, aí vou eu!
Dou licença
Peço o direito
E o que ninguém escolheu
Se não existo mais
Por que todos insistem em lembrar de mim?
O cheiro que o vento traz
Me faz esquecer do tempero ruim
Quatro artérias artificiais
Levam à cabeça mais desejos banais
De toda a nossa condição
De um mero humano padrão
Pensa tudo o que existe
Destrói e não desiste
Leva o Inverno à Primavera
E se traveste de quimera
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