segunda-feira, 30 de julho de 2007

Desculpe avisar

Existem pedaços de mim apodrecendo dentro de você.
Um mês depois do aniversário, encerrava tudo. Um mês depois da data na qual já não mais desejava estar junto. Os olhares não cruzariam mais, estava certo. Agora, apenas um perseguiria o outro. Enquanto um olhava, o outro desolhava. E assim seguiriam na brincadeira de gata e rato, sempre revezando os papés. Alternando suas culpas e culpando-se alternadamente. E depois seria assim. Um amontoado de gestos e gritos e lágrimas jogadas ao vazio. Um pilha de emoções arrebatadoras, que não se tinha idéia do que fazer com elas. Muita coisa era nova. Mas a dor...ah, essa já é antiga. Sempre esteve rondando, feito lobo faminto que espera a chance de atacar. Quando sentiu a oportunidade, tomou a carne para si e fez dela arma. Lutou e digladiou-se até cair no chão. E sentado ficou, sozinho.

Cena

Morra.
Parta-se ao meio e deixe que eu veja escorrer de você toda a sua hipocrisia.
Queria ver a cor que tem sua falta de caráter.
A mentira eu sei que não dá pra ver, mas a gente sente o cheiro.
Você persegue e a encontra.
Ali. Parada.
Com cara de quem não sabe de nada.
Eu não sinto nem pena. Eu não sinto nada.
Pra mim você é, no máximo, isso.
Nada.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Metade do amor é dois terços de dor.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

depois do prazer, o vazio
depois do gozo, a solidão
da cama dividida
da parceria perdida
a cumplicidade diluída
pelas lágrimas e saliva

depois da noite, o dia
depois da festa, a sala vazia
a carne satisfeita
a alma incompleta
a máscara que cai
a realidade que fica

domingo, 15 de julho de 2007

O Amor é antídoto para o seu próprio veneno.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Visão de mundo

O mundo às vezes parece fazer parte de uma coisa tão pequenininha que até cabe no bolso. Você se senta na gangorra do parque e, PUF, o mundo caiu no chão. Despedaçou-se o mundo. Ficou todo sujo de terra e pedrinhas e restos de pipoca doce. Formiguinhas agora andam de um lado para o outro. No mundo. Morde e ele fica inchado, cresce de novo, parece até que tem gente dentro.

Será que tem gente dentro?

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Encontro

Estava andando no Centro da Cidade, como fazia às vezes, meio preocupado e sonolento, após o almoço de cada dia. Imaginava que as pessoas sempre seguem uma rotina, até nos pequenos atos do dia-a-dia. Quando se observa muito tempo pode-se prever até o lado pro qual elas se desviam, para evitar esbarrarem umas nas outras, o que seria como uma peça que range numa estrutura bem organizada. Entrar em contato físico com um outro alguém desconhecido é algo incabível. Pior ainda: a idéia de tocar um olhar alheio no meio de tantos é de apavorar qualquer transeunte. O que aqueles olhos poderiam dizer? Imagine se neles encontrarem as respostas de perguntas que nem conhecem ainda? Um horror!
Frequentemente tinha a impressão de que até as rotas escolhidas pelas calçadas eram as mesmas. Foi em meio ao relógio adiantado da cidade que reparou um prédio que, até ontem, parecia nunca ter estado ali. Mas agora se punha no meio dos arranha-céus como se fosse parte da paisagem. Será que ninguém notava? Todos passavam, indiferentes. Como não haviam reparado que agora jazia entre dois prédios comerciais uma torre. Sim, daquelas torres medievais, sem portas embaixo, tampouco escadaria. Apenas uma janelinha solitária lá no alto.
Passou então a parar na sua frente, todo dia, para admirar a mais nova descoberta. Era uma torre bem bonita, apesar de aparentar bastante idade. Idade suficiente para estar ali desde muito antes de haver alguém ali.
Era uma sexta-feira preguiçosa. O horário do almoço marcava a metade do tempo restante para a liberdade controlada do fim de semana. Foi quando a viu pela primeira vez. Passava os olhos corriqueiramente pela janelinha de pedra quando reparou que havia algo diferente. Uma figura lançava seus olhares ao infinito, na direção do sol e do mar. Os cabelos - negros, às vezes vermelhos - revoavam e alguns fios acariciavam seu rosto, fazendo o nariz coçar. A pele era alva, roseando nos lábios. Os olhos eram a noite em forma de pérolas.
Ficou congelado. Petrificado por fora. Por dentro, era o carnaval de turbilhões. Calor e frio atingiam seu corpo. Não sabia explicar, mas parecia ter engolido um redemoinho. Sentia uma pontada tenra no peito. Sabia que precisava falar a esta moça, mas não tinha idéia de como. Pensou em pedir para que jogasse suas tranças, mas, além de ter certeza de que não o ouviria por causa do barulho dos carros, tinha o cabelo curto.
Neste momento um raio pareceu tê-lo atingido. Foi tomado por algo tão grande e avassalador, que mal podia ficar de pé. Se encolheu, para tentar recuperar o fôlego, e passou a sentir um formigamento nas costas. Mal esticou o braço para ver o que era e, num estrondo que só se ouviu em seus ouvidos, duas imensas asas brotaram de suas costas. Eram branquíssimas como as nuvens de manhã de inverno, e macias e quentes.
Quando deu por si, já havia decolado e estava em disparada em direção àquela janelinha, que parecia prometer-lhe tudo. Por alguns segundos, que pareceram séculos, sentiu a brisa suave tocando sua face e anunciando tudo de bom. Ao atingir a altura da janela, fitou-a por um momento e pousou no parapeito.
Então, antes que ele pudesse abrir a boca, ela disse: -"Me leva."
E foram embora. Voando.
Ontem senti dor. Começou como dor de coração, mas logo passou para dor no coração. Aquela que arde feito agonia profunda dentro do peito, trava a garganta bem na região de dizer coisas e sobe pros olhos, onde, vendo o mundo lá fora, condensa e escorre pela face. As orelhas ardem, a nuca arrepia, o estômago embrulha e você implode. Assim morre alguma coisa. Assim se tem a plena noção da lágrima que foge por entre os dedos. Assim morre um sentimento que não quer morrer. Assim tentam matar quem insiste em viver, nem que seja na fantasia de uma vida boa.

domingo, 1 de julho de 2007

Um contato. Uma troca de olhares. Um oi. Dois beijinhos. É o que basta para a cabeça rodar em mil turbilhões por segundo. É o suficiente para desmoronar o muro construído com tanto sacrifício. E então, certa indiferença. Aquela que faz ir embora, sentar e encarar o painel do carro. Ficar alguns minutos parado, sem saber ao certo o que pensar. Sem saber nem se algo deve ser pensado. Na volta pra casa, o pé colado no acelerador e o ponteiro que marca 160, como numa tentativa vã de fugir. Mas não se pode fugir daquilo que habita dentro de si. O vento gelado da madrugada bate no rosto e leva consigo algumas lágrimas perdidas. Em alguns minutos, uma ligação. Apenas uma. Um convite. É o que basta para a cabeça explodir em perguntas e esperanças que parecem irreais, e ser transportada pra outra dimensão. E é onde estou agora. Uma outra dimensão. Uma sétima dimensão. Aquela onde nada faz sentido. Aquela onde o mero conceito de algo fazer sentido já não faz sentido por si só.
É uma sala escura, com apenas alguns vagalumes. Somente me resta tentar apanhar quantos eu conseguir, em meio a esse caos obscuro, e ler as mensagens que carregam dentro de suas lâmpadas. O que poderiam me dizer? Sim, vagalumes, por favor, em seu balé pelo breu da madrugada; em sua dança estranha nos confins da minha mente, se juntem e iluminem meus pensamentos. Preciso enxergar com clareza, para o coração não tropeçar. De novo.