terça-feira, 3 de junho de 2008

Epilepsia

sonhei um sonho de antecipação
um aviso, uma contra-mão
uma impressão ruim
sonhei com as palavras que meus filhos vão escrever de mim

nem um adorno sequer
uma imagem qualquer
pra se desfazer assim
no país onde os campos de girassóis não têm fim

as figuras são sintéticas
as metáforas são herméticas
pro meu código epilético
não me resta solução

se às pessoas sou alérgico
então reago tão enérgico
em atitudes (erráticas) epiléticas
me eximo de confusão

paro os meus sentidos
pra evitar o erros sofridos
durante toda falta de bom senso
cortesia agora teu nome é paradoxo

e por fim, de que adianta
pôr a mesa todo dia
por anos e anos a fio
vivendo pendurado na ponta de um pavio

quarta-feira, 14 de maio de 2008

é madrugada
estou sozinho
a música enche a minha casa

notas suaves que voam em pequenas cores
uma fumaça antiga
uma velha cantiga

não me preocupo em fazer senso
apenas registro meu pensamento
da maneira que escorrega
pelos meus dedos

estou madrugada
é sozinho
a casa enche a minha música

acordo nos sinais
que zumbem em meus ouvidos
dizendo que salvam-se poucos entre mortos e feridos

num toque de champanhe
em suas palavras doces
uma voz rascante
me enche de falsas promessas

estou à minha casa
a madrugada enche
minha música sozinho

terça-feira, 29 de abril de 2008

o que eu preciso é saber
é saber o que eu preciso

enquanto todos alam
eu injo que entendo
balanço a cabeça
em also cumprimento

cumpro suas vontades
tolero seus excessos
brindamos à amiade
com risadas e incensos

o que eu preciso é saber
é saber o que eu preciso

duro, o coração
diícil de segurar
procurando em vão
um lugar para icar

me mastigo e me distraio
com um vapor barato
em um tubo de ensaio
me torno inexato

o que eu preciso é saber
é saber o que eu preciso

vai saber
que é vontade estranha
se no peito me arranha
me a enlouquecer

me dier
que a sina não é tamanha
se no peito me entranha
me a esmorecer

o que eu preciso é saber
é saber o que eu preciso

quinta-feira, 10 de abril de 2008

como ruga da velhice chegando
a dor está estampada no meu rosto
qual tatuagem doída
a qual só se tem desgosto

vou usando as pessoas
sugando sua essência
enquanto eu as conheço
me encanta a experiência

depois vem a rotina
do mundo exterior
o último gole do copo
a fonte já secou

depois de cinco dias
o prazo de validade já se esgotou
e da maneira como começou
sumiu sem deixar pistas

me desperço na fumaça de um livro
solidão pra mim é mais que um castigo
e sem mais meia palavra
o mundo me desaba

combato o lirismo
caio em contradição
o mundo é um abismo
que eu escalo com as mãos

terça-feira, 1 de abril de 2008

outro dia senti uma dor no peito. daquelas que dóem undo, mas que não se pode azer nada para curar. aí ela vai subindo, como uma linha reta, até os olhos. e como se quisesse explodir e tomar conta do mundo, se espalha em lágrimas, se jogando do alto dos meus olhos. e assim oi, por alguns minutos. uma dor que a cada latejada no peito, pulsava um esguicho das vistas.
dor de buraco no peito. um vazio que não dá pra preencher. daqueles que quando transbordam, ou se chóra, ou se grita. bem, eu nunca ui chegado a escândalos, mesmo...
o undo do meu eu é negro
escuro e undo como a noite e o breu
é denso e traga tudo pra dentro
tal qual buraco negro
as palavras nem os sentimentos escapam

onde nós estamos
onde, meu amor?
por quem esperamos?
seja como or

no meio do nada
o vazio da estrada
a carta é virada
e a sorte lançada

me altam as palavras
e os pensamentos voam soltos
na névoa de cada noite
no desatino de cada dose
a esperança de um uturo brilhante

por quem esperamos?
seja como or
onde nós estamos?
onde, meu amor?

quarta-feira, 26 de março de 2008

às vezes algumas coisas ficam tão longe...

domingo, 16 de março de 2008

Sobrevivendo sem um arranhão

Andei meio desligada.
Por longos meses achei que os monstros adormeciam comigo no quarto escuro, enquanto a vida real passava com os dias e os semáforos e as mentiras.
Minhas poesias, sempre tão reais. Tão ali debaixo dos olhos, escancaradas na gaveta aberta que eu fingi esquecer de fechar.
Um mundo de sonhos só meus e tão meus. Minhas dores e angústias atrás de um sorriso bonito enfeitando a estante. A melhor amiga por falta de opção.
E por falar em escolhas, só tinha duas: ter ou perder. Nenhuma era boa o bastante para satisfazer meu desejo enorme e sincero de unidade. Desisti. Por medo, por covardia. Por acreditar que era mais uma ilusão no meio de tantas outras que se passaram. Fiquei a chorar baixinho pelos cantos sem ninguém saber, porque é pior quando vem à tona. Gosto de fogos, mas os barulhos me assustam. É como o relâmpago e o trovão. Não sei lidar com fenômenos.
Querendo mais que antes e podendo cada dia menos. Aquele sorriso lindo que nunca sai de forma. A doçura de existir nessa imensidão dentro de mim. Vive forte e alegre aqui dentro. Personagem real da história mais linda que criei pra mim.
As lindas histórias de amor, um belo dia, vão se juntar ao planeta das tampinhas de caneta. Não sabemos onde fica, mas sabemos que estão lá, no horizonte perdido.
Não me importo mais com as falsas esperanças. Preciso delas para continuar.

domingo, 9 de março de 2008

As meias não têm pares, na minha casa.
Elas se divorciam ao entrarem na gaveta.

sábado, 1 de março de 2008

e o coração?
secou?
desiludiu?
gastou?

numa tempestade de sentimentos
o que não chove no momento
depois vira mágoa

se não se livra do tormento
mesmo que sem o intento
machuca-se o karma

então se vira
dê a volta
ou passe por cima
mas passe, arregace
não apenas ameace
estou cansado de viver correndo
amuado, acuado
eternamente em desespero

me encontro encurralado
onde os dias passam rápido
e as noites longas

desvio de balas
eu ujo de olhares
que me cercam e me procuram

e numa noite de névoa
um vinho da reserva
de 1981
avinagrou

uma viagem sem ida
é a dor não vivida
e se a procura é alida
não guarde rancor


e no inal da missão
mantenha a respiração
a vista limpa
e a memória clara

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Há uma lágrima congelada dentro de mim. E ela vai derreter quando chegar a hora.