tem gente que envelhece ainda novo
e se torna um estorvo
ao simples ato de respirar
tem gente que perde o controle
tira o livro da estante
e começa a recitar
todos os caminhos que eu trilho
são de minha autoria
essa é minha agonia
que eu alimento e crio
no olhar, sem mais um brilho
pois é época de estio
as que eu tenho, eu junto
algumas poucas eu deixo rolar
e numa poesia fuleira
largada ao pé de uma cadeira
brota uma flor seca
e que não cheira
mas pra acabar com a brincadeira
sem levantar muita poeria
vai saindo de fininho
como discreta betoneira
sábado, 22 de dezembro de 2007
sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
veja que ser deprimente
sempre esteve ausente
do dia a dia de si mesmo
agora circula nos corredores
por entre olhos marejados
que carregam na dor, uma ponta de egoísmo
na batida da madrugada
se inebria e embriaga
buscando uma solução
mas morte, com faca se afaga
e se o veneno se estraga
não preciso de poção
mas se faço da cruz um caminho
não me vejo sozinho
num facho de luz
suporto, da rosa, o espinho
de perfume macio
e que me seduz
sempre esteve ausente
do dia a dia de si mesmo
agora circula nos corredores
por entre olhos marejados
que carregam na dor, uma ponta de egoísmo
na batida da madrugada
se inebria e embriaga
buscando uma solução
mas morte, com faca se afaga
e se o veneno se estraga
não preciso de poção
mas se faço da cruz um caminho
não me vejo sozinho
num facho de luz
suporto, da rosa, o espinho
de perfume macio
e que me seduz
quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
furei um coração
com agulha de pretensão
pra escorrer a paixão
gota a gota, grão em grão
sangrei os olhos
desfiz em lágrimas
acordei eufórico
sem mágoas
sonhei ser avião
uma máquina, uma televisão
com vista pro verão
de fundos pra ilusão
dormi escondido
no travesseiro
sou foragido
sou forasteiro
de uma beleza rara
com uma pureza clara
para uma estranheza cara
a qual certeza idolatra?
pra sempre serena
guardada na memória
e se valeu a pena
já virou história
com agulha de pretensão
pra escorrer a paixão
gota a gota, grão em grão
sangrei os olhos
desfiz em lágrimas
acordei eufórico
sem mágoas
sonhei ser avião
uma máquina, uma televisão
com vista pro verão
de fundos pra ilusão
dormi escondido
no travesseiro
sou foragido
sou forasteiro
de uma beleza rara
com uma pureza clara
para uma estranheza cara
a qual certeza idolatra?
pra sempre serena
guardada na memória
e se valeu a pena
já virou história
sábado, 8 de dezembro de 2007
Parado
Imóvel.
Estático.
Congelado.
Calado.
Fecho os olhos.
Meus joelhos dobram.
Já sentem o peso de tudo o que um dia ignoraram.
E à vitória
em cada passo
seguem tantas outras derrotas que não lembro mais.
E sou confuso.
Imediato.
Um dente incluso,
é dor de fato.
Se é pra sair
no fim do primeiro ato.
Levanto, calço os sapatos.
E sigo, inconformado.
Imóvel.
Estático.
Congelado.
Calado.
Fecho os olhos.
Meus joelhos dobram.
Já sentem o peso de tudo o que um dia ignoraram.
E à vitória
em cada passo
seguem tantas outras derrotas que não lembro mais.
E sou confuso.
Imediato.
Um dente incluso,
é dor de fato.
Se é pra sair
no fim do primeiro ato.
Levanto, calço os sapatos.
E sigo, inconformado.
terça-feira, 4 de dezembro de 2007
quinta-feira, 8 de novembro de 2007
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
Últimas notícias de uma história só
Acordou chorando baixinho em um quarto com cheiro de chuva. Já era tarde. Passou a madrugada nas danças crucificadas da vida, tentando entender o que é existir. Experimentou um novo figurino e montou um picadeiro em sua grande ilusão. Vida de faz-de-conta.
E fala baixo senão ela grita.
E fala baixo senão ela grita.
quinta-feira, 1 de novembro de 2007
Nossa primeira vez (meio desajeitada, como toda primeira vez...mais por culpa do homem, como toda primeira vez...)
a lua não pára de subir
e o sol não pára de descer
mas ainda não dá pra ver
ou a gente não sabe enxergar
ela não quer olhar pra isso
não quer ver amanhecer
ela gosta da boemia que é a noite
e tudo o que vem trazer
as ruas estão em festa
as ruas estão em busca
e as avenidas, paralelas
se encontram no infinito
os universos bêbados
se unem em um só
os sorrisos são os mesmos
e ninam seus passos trôpegos
enquanto isso, pálida, observa
as crianças que colam figuras nela
e as ondas que vão e vêm
ela sabe, certeira
que é a única companheira
de quem não tem ninguém
é o beijo no aeroporto que não existiu
é a tatuagem no céu do medo do depois
é a ilusão de quem não sabe ter
é o medo grande de viver
é a solidão por pura incapacidade
ou falta de sagacidade
e o sol não pára de descer
mas ainda não dá pra ver
ou a gente não sabe enxergar
ela não quer olhar pra isso
não quer ver amanhecer
ela gosta da boemia que é a noite
e tudo o que vem trazer
as ruas estão em festa
as ruas estão em busca
e as avenidas, paralelas
se encontram no infinito
os universos bêbados
se unem em um só
os sorrisos são os mesmos
e ninam seus passos trôpegos
enquanto isso, pálida, observa
as crianças que colam figuras nela
e as ondas que vão e vêm
ela sabe, certeira
que é a única companheira
de quem não tem ninguém
é o beijo no aeroporto que não existiu
é a tatuagem no céu do medo do depois
é a ilusão de quem não sabe ter
é o medo grande de viver
é a solidão por pura incapacidade
ou falta de sagacidade
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
Quando uma árvore cai no meio da floresta e não há ninguém para ouvir, será que ela faz barulho? De maneira análoga, se alguém tem um sentimento, mas não há ninguém para recebê-lo, então, o que é feito...?
Agora queria aquela pessoa que me escutasse. Mas não com os ouvidos, porque dentro de mim cai uma árvore no meio da floresta de sentimentos. Preciso de alguém que ouça tudo o que eu tenho a dizer sem que eu precise falar uma palavra sequer. E assim, de boca fechada e coração aberto, em uma revoada de considerações, pensamentos doces e doloridos voam como o balão que escapou da mão da criança que brincava no parque. E pra cada um que estoura, ao receber uma rajada de ar mais forte, ou encostar num galho sorrateiro, uma explosão de bolhas coloridas. E pra cada bolha, mais bolhas. E pra cada cor, mais cores, até o céu virar arco-íris.
Agora queria aquela pessoa que me escutasse. Mas não com os ouvidos, porque dentro de mim cai uma árvore no meio da floresta de sentimentos. Preciso de alguém que ouça tudo o que eu tenho a dizer sem que eu precise falar uma palavra sequer. E assim, de boca fechada e coração aberto, em uma revoada de considerações, pensamentos doces e doloridos voam como o balão que escapou da mão da criança que brincava no parque. E pra cada um que estoura, ao receber uma rajada de ar mais forte, ou encostar num galho sorrateiro, uma explosão de bolhas coloridas. E pra cada bolha, mais bolhas. E pra cada cor, mais cores, até o céu virar arco-íris.
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
Coração errado
Eu queria pegar o que eu sinto, amarrar num saco rosa, fazer um enfeite bonito no laço e jogar na água corrente, pra ver se passa. Mas eu não consigo. Seu sorriso ficou impregnado e toda vez que eu me lembro dele me dá vontade de te ter. Só um pouquinho. Só por perto. Só aqui do lado, falando coisas que não vou me lembrar, porque eu fico prestando atenção nos seus olhos. No seu jeito. No jeito que você gesticula bonitinho com as mãos. Meu amor impossível. Proibido pelos deuses. Meu maior castigo. Não posso te pedir pro Papai Noel. Não te mereço. Você nem imagina. Ta brilhando bonito no meio do caos, pedindo ajuda. Ergo a mão e você não vê. Vê o que quer. Escolhe o impossível. Parece comigo e deve ser isso que eu amo. Sua utopia louca de estar aqui no mundo, existindo e desistindo de você mesmo. Lindo. Importante demais. Ilumina o céu e não vê. Garoto rico perdido pedindo dinheiro em farol. Esqueceu de tudo. Da alma, da cor. Não tenho o que fazer. Eu espero. Eu já me acostumei. Eu, inclusive, já me acostumei a não ter você. A não ter o seu sorriso. Eu realmente não me importo. Eu te amo complicado, chorando no vale perdido. Eu vou te salvar. Olha aqui. Eu aceno, mas você olha sempre pro lado errado da rua. Do abismo. Da vida. Eu te amo. Eu só vim te buscar. É só por isso que eu estou aqui.
quinta-feira, 25 de outubro de 2007
O espaço é o caminho formado
Pela ausência de cada pedaço
Que compõe o meu sofrer
É não ter o propósito claro
Que me faça em um dia errado
Gentilmente escarnecer
Encho a cara
Bato no peito
Digo: vida, aí vou eu!
Dou licença
Peço o direito
E o que ninguém escolheu
Se não existo mais
Por que todos insistem em lembrar de mim?
O cheiro que o vento traz
Me faz esquecer do tempero ruim
Quatro artérias artificiais
Levam à cabeça mais desejos banais
De toda a nossa condição
De um mero humano padrão
Pensa tudo o que existe
Destrói e não desiste
Leva o Inverno à Primavera
E se traveste de quimera
Pela ausência de cada pedaço
Que compõe o meu sofrer
É não ter o propósito claro
Que me faça em um dia errado
Gentilmente escarnecer
Encho a cara
Bato no peito
Digo: vida, aí vou eu!
Dou licença
Peço o direito
E o que ninguém escolheu
Se não existo mais
Por que todos insistem em lembrar de mim?
O cheiro que o vento traz
Me faz esquecer do tempero ruim
Quatro artérias artificiais
Levam à cabeça mais desejos banais
De toda a nossa condição
De um mero humano padrão
Pensa tudo o que existe
Destrói e não desiste
Leva o Inverno à Primavera
E se traveste de quimera
quarta-feira, 24 de outubro de 2007
Dogma
Sabe quando você aperta o botão mil vezes e nada acontece? Dá vontade de chorar, dá vontade de morrer, dá vontade de esquecer.
terça-feira, 16 de outubro de 2007
Testemunho (a)(in)cidental
Do alto de uma janela, de olhos fechados, um menino recebe no rosto a brisa fresca de um fim de tarde a mais. Ele sabe que o futuro chega logo. Ele sabe que ela não vem e que ela ainda está por vir. Será que demora muito? O logo quase sempre é quase nunca.
domingo, 14 de outubro de 2007
segunda-feira, 8 de outubro de 2007
domingo, 7 de outubro de 2007
brincadeira
Vou sangrar o coração
que é pra verter a emoção
que de dia me faz cantar
Se planto flores em qualquer jardim
também as tenho em mim
E tantos beijos pra voar
Então ouço uma voz
e devagar ela me conduz
pra um outro lugar
Agora sei
que canto sem razão
Mas a fumação no pulmão
Me impede de pensar
Pelo dia que encontra seu fim
dou a volta em um segundo
mais um suspiro bem fundo
prendo e solto o ar
que é pra verter a emoção
que de dia me faz cantar
Se planto flores em qualquer jardim
também as tenho em mim
E tantos beijos pra voar
Então ouço uma voz
e devagar ela me conduz
pra um outro lugar
Agora sei
que canto sem razão
Mas a fumação no pulmão
Me impede de pensar
Pelo dia que encontra seu fim
dou a volta em um segundo
mais um suspiro bem fundo
prendo e solto o ar
Esse cara
Ah, esse cara tem me consumido
A mim e a tudo que eu quis
Com seus olhinhos infantis
Com os olhos de um bandido
Ele está na minha vida porque quer
E eu estou pro que der e vier
Ele chega ao anoitecer
Quando vem a madrugada ele some
Ele é quem quer
Ele é um homem
E e eu sou apenas uma mulher
Caetano Veloso, mas fica linda na voz de Cazuza
A mim e a tudo que eu quis
Com seus olhinhos infantis
Com os olhos de um bandido
Ele está na minha vida porque quer
E eu estou pro que der e vier
Ele chega ao anoitecer
Quando vem a madrugada ele some
Ele é quem quer
Ele é um homem
E e eu sou apenas uma mulher
Caetano Veloso, mas fica linda na voz de Cazuza
Amor é coisa de boteco
O amor encontra sua dignidade na vergonha. Envergonhar-se de um amor é ter orgulho dele.
Choro por um amor. Despedaço-me por um amor. Fragmento-me por um amor. Faço chantagem por um amor. Digo o que não devo por amor. Estrago uma festa por amor.
Amor desesperado é ainda o jeito mais tranqüilo de amar. Não conheço outra paz senão a de guerrear no fundo de um copo.
Não sou homem de tranqüilizantes, de remédios na cômoda, de sono induzido. Meu quarto é o bar, público e derradeiro. Meu travesseiro é uma toalha de mesa plastificada. Amor só sabe gemer falando alto.
O amor é aguardar uma resposta. A fossa é o período de uma resposta a outra. Não há como amar sem prejuízo. Sem acreditar que não deu certo. É inacreditável como apaixonados contam as mais absurdas inconfidências a estranhos e escondem os detalhes dos mais próximos. Todo garçom já foi nosso padre um dia. Nosso confessor. A gravata-borboleta é nossa batina.
Amor é esse estágio necessário de loucura para suportar a normalidade. Quando amo, não preciso de psiquiatra, preciso de um táxi para voltar.
Amor mesmo é coisa de boteco, com potes de ovinhos de codorna e cachaça nas prateleiras. Amor não tem nojo, repulsa, pudor de sofrer. Sofremos de amor para abrir espaço por dentro e desalojar antigos moradores.
Amor não é próprio de restaurante ou de guardanapo nos joelhos. Não haverá um porteiro saudando com "boa-noite", não haverá recepção ou um senhor para abrir a porta. Aliás, não terá porta, é uma garagem para o corpo balançar à vontade e não quebrar nada.
Não espere cardápio no amor, espere cartazes nas paredes. As lâmpadas estarão com as braguilhas abertas no teto.
Amor mesmo é devasso, cafona, cadeira de metal amarela, dobrável e enferrujada. Deve-se tomar cuidado para não sentar na ponta.
O amor não vem da elegância de um lugar, vem da nobreza da dor.
O amor é o solitário do balcão, a retirar vagaroso o rótulo úmido da garrafa porque não pode despir sua mulher. Fica delirando em braile. Aprende inglês com as moscas. Joga dama com os cascos. Reza dez ave-marias para cada pai-nosso. Descobre que o terço é feminista. A cada vez que pensa em si, pensa dez vezes no corpo dela.
Não se limpa um amor no banheiro. Limpa-se com as mangas da camisa na frente de todos. O amor é a boca assoando.
O amor não pede a conta na mesa, é a conta. Não há amor se você não for o último cliente. O último a sair é que está realmente amando.
Quem ama não guarda o dinheiro na carteira, deixa avulso e amassado no bolso. É sintomático. Estará cantando Amado Batista sem querer. E se espantará que conhece a letra, egressa de alguma estação da infância.
Só pode ser do radinho materno, ao lado do fogão. Sua mãe colocou aquelas canções em sua comida.
Fabrício Carpinejar
Choro por um amor. Despedaço-me por um amor. Fragmento-me por um amor. Faço chantagem por um amor. Digo o que não devo por amor. Estrago uma festa por amor.
Amor desesperado é ainda o jeito mais tranqüilo de amar. Não conheço outra paz senão a de guerrear no fundo de um copo.
Não sou homem de tranqüilizantes, de remédios na cômoda, de sono induzido. Meu quarto é o bar, público e derradeiro. Meu travesseiro é uma toalha de mesa plastificada. Amor só sabe gemer falando alto.
O amor é aguardar uma resposta. A fossa é o período de uma resposta a outra. Não há como amar sem prejuízo. Sem acreditar que não deu certo. É inacreditável como apaixonados contam as mais absurdas inconfidências a estranhos e escondem os detalhes dos mais próximos. Todo garçom já foi nosso padre um dia. Nosso confessor. A gravata-borboleta é nossa batina.
Amor é esse estágio necessário de loucura para suportar a normalidade. Quando amo, não preciso de psiquiatra, preciso de um táxi para voltar.
Amor mesmo é coisa de boteco, com potes de ovinhos de codorna e cachaça nas prateleiras. Amor não tem nojo, repulsa, pudor de sofrer. Sofremos de amor para abrir espaço por dentro e desalojar antigos moradores.
Amor não é próprio de restaurante ou de guardanapo nos joelhos. Não haverá um porteiro saudando com "boa-noite", não haverá recepção ou um senhor para abrir a porta. Aliás, não terá porta, é uma garagem para o corpo balançar à vontade e não quebrar nada.
Não espere cardápio no amor, espere cartazes nas paredes. As lâmpadas estarão com as braguilhas abertas no teto.
Amor mesmo é devasso, cafona, cadeira de metal amarela, dobrável e enferrujada. Deve-se tomar cuidado para não sentar na ponta.
O amor não vem da elegância de um lugar, vem da nobreza da dor.
O amor é o solitário do balcão, a retirar vagaroso o rótulo úmido da garrafa porque não pode despir sua mulher. Fica delirando em braile. Aprende inglês com as moscas. Joga dama com os cascos. Reza dez ave-marias para cada pai-nosso. Descobre que o terço é feminista. A cada vez que pensa em si, pensa dez vezes no corpo dela.
Não se limpa um amor no banheiro. Limpa-se com as mangas da camisa na frente de todos. O amor é a boca assoando.
O amor não pede a conta na mesa, é a conta. Não há amor se você não for o último cliente. O último a sair é que está realmente amando.
Quem ama não guarda o dinheiro na carteira, deixa avulso e amassado no bolso. É sintomático. Estará cantando Amado Batista sem querer. E se espantará que conhece a letra, egressa de alguma estação da infância.
Só pode ser do radinho materno, ao lado do fogão. Sua mãe colocou aquelas canções em sua comida.
Fabrício Carpinejar
sexta-feira, 5 de outubro de 2007
De volta a 2006
...e quando eu venho, é na melhor das intenções. Sempre foi, você não sabe. Você não viu.
Mas eu fiz um bom trabalho jogando cinzas e areia nos seus olhos e no seu coração. Nunca foi minha intenção. Você não sabe.
Mas eu fiz um bom trabalho jogando terra e entulho dentro de mim mesmo. E isso eu sei, você não sabe.
Fui eu quem ágüou o solo pra que hoje floresça o seu roseiral.
E serão rosas lindas e boas pra você, pois foram regadas com lágrimas. Minhas e suas.
Isso você sabe. Mas isso, ninguém mais sabe.
Versão Daia
E quando eu venho, é na melhor das intenções. Sempre foi, mas você não sabe.
Você não viu. Eu fiz um bom trabalho jogando cinzas e areia nos seus olhos e no seu coração.
Acho que foi minha intenção. Mas você não sabe. Eu fiz um bom trabalho jogando terra e entulho dentro de mim mesmo.
E isso eu sei, mas você não sabe.
Mas eu fiz um bom trabalho jogando cinzas e areia nos seus olhos e no seu coração. Nunca foi minha intenção. Você não sabe.
Mas eu fiz um bom trabalho jogando terra e entulho dentro de mim mesmo. E isso eu sei, você não sabe.
Fui eu quem ágüou o solo pra que hoje floresça o seu roseiral.
E serão rosas lindas e boas pra você, pois foram regadas com lágrimas. Minhas e suas.
Isso você sabe. Mas isso, ninguém mais sabe.
Versão Daia
E quando eu venho, é na melhor das intenções. Sempre foi, mas você não sabe.
Você não viu. Eu fiz um bom trabalho jogando cinzas e areia nos seus olhos e no seu coração.
Acho que foi minha intenção. Mas você não sabe. Eu fiz um bom trabalho jogando terra e entulho dentro de mim mesmo.
E isso eu sei, mas você não sabe.
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
Não me deixe só
Não me deixe só
Eu tenho medo do escuro
Eu tenho medo do inseguro
Dos fantasmas da minha voz
Não me deixe só
Tenho desejos maiores
Eu quero beijos intermináveis
Até que os olhos mudem de cor
Não me deixe só
Que o meu destino é raro
Eu não preciso que seja caro
Quero o gosto sincero do amor
Fique mais, que eu gostei de ter você
Não vou mais querer ninguém
Agora que sei quem me faz bem
Não me deixe só
Que eu saio na capoeira
Sou perigosa, sou macumbeira
Sou de paz, eu sou do bem, mas...
Não me deixe só.
(Vanessa da Mata)
Eu tenho medo do escuro
Eu tenho medo do inseguro
Dos fantasmas da minha voz
Não me deixe só
Tenho desejos maiores
Eu quero beijos intermináveis
Até que os olhos mudem de cor
Não me deixe só
Que o meu destino é raro
Eu não preciso que seja caro
Quero o gosto sincero do amor
Fique mais, que eu gostei de ter você
Não vou mais querer ninguém
Agora que sei quem me faz bem
Não me deixe só
Que eu saio na capoeira
Sou perigosa, sou macumbeira
Sou de paz, eu sou do bem, mas...
Não me deixe só.
(Vanessa da Mata)
terça-feira, 25 de setembro de 2007
Ode à mulher desconhecida
Hoje eu acordei com sede de amor
com sede de carinho
Hoje eu acordei com vontade
de dormir e acordar juntinho
De olhar nos seus olhos
enquanto trago o café
Hoje eu acordei com vontade
de saber quem você é
Quero te condensar
e conhecer sua realidade
Acordei com vontade de descobrir
se você é mesmo verdade
De esquecer do trabalho
e sua insignificância
Saber sua flor preferida
pra mim tem muito mais inportância
Hoje eu acordei com vontade de dormir
Só pra ver se te encontro na esquina de um sonho por aí
com sede de carinho
Hoje eu acordei com vontade
de dormir e acordar juntinho
De olhar nos seus olhos
enquanto trago o café
Hoje eu acordei com vontade
de saber quem você é
Quero te condensar
e conhecer sua realidade
Acordei com vontade de descobrir
se você é mesmo verdade
De esquecer do trabalho
e sua insignificância
Saber sua flor preferida
pra mim tem muito mais inportância
Hoje eu acordei com vontade de dormir
Só pra ver se te encontro na esquina de um sonho por aí
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
Descanse, por favor
espere eu abrir a janela
não importa onde estou
aqui o silêncio impera
pelo teto solto
voam meus pensamentos
e o mar está revolto
como meus sentimentos
se por acaso, um dia, numa esquina
o sol aparecer
diga a ele que eu volto logo
depois do anoitecer
num lugar infinito
onde ela me espera
por um minuto eu minto
pra ver o que o futuro me reserva
canta agora, canta o dia
sem mais nem preocupações
desposa a agonia
com fogos e rojões
e pra uma vida incerta
quantas palavras faltaram
me beija em cena aberta
e deixe que aplaudam
espere eu abrir a janela
não importa onde estou
aqui o silêncio impera
pelo teto solto
voam meus pensamentos
e o mar está revolto
como meus sentimentos
se por acaso, um dia, numa esquina
o sol aparecer
diga a ele que eu volto logo
depois do anoitecer
num lugar infinito
onde ela me espera
por um minuto eu minto
pra ver o que o futuro me reserva
canta agora, canta o dia
sem mais nem preocupações
desposa a agonia
com fogos e rojões
e pra uma vida incerta
quantas palavras faltaram
me beija em cena aberta
e deixe que aplaudam
domingo, 23 de setembro de 2007
Intrínseca
O incenso acabou
Fiquei sem você
Meu barco furou
O pão que se ganha
Aqui não se tem
O mal que se paga
Aqui se faz também
A roda da vida
Gira o carrossel
Somos todos os bichos
Quero ser um corcel
Liberar minhas asas
Quem me faz sonhar
É o mal que se apagará
Sou a tua vertente
Decente punhal
Que brande e curva
Tal qual animal
De vida privada, íntima e secreta
Que segue intrínseca
Em linha reta
Fiquei sem você
Meu barco furou
O pão que se ganha
Aqui não se tem
O mal que se paga
Aqui se faz também
A roda da vida
Gira o carrossel
Somos todos os bichos
Quero ser um corcel
Liberar minhas asas
Quem me faz sonhar
É o mal que se apagará
Sou a tua vertente
Decente punhal
Que brande e curva
Tal qual animal
De vida privada, íntima e secreta
Que segue intrínseca
Em linha reta
quinta-feira, 20 de setembro de 2007
Olhos borrados
Eu não vou falar hoje. Eu não vou contar pra ninguém. Tudo o que eu digo é que ele me fez um convite para ter olhos borrados. Medo da luz. Paixão pelo mar. Ele parece um amor antigo que nunca existiu. É como o sonho mais lindo que eu não posso ter. Posso passar o dia inteiro em frente ao computador tentando imaginar qual a camisa que ele deve estar. Qual a música que ele ouviu em direção ao trabalho. Qual foi a última vez que ele pensou em mim com saudade. Estrela que caiu fraca no chão e me deixa cuidar. Não posso. São muitas feridas que disfarço com bandaid’s coloridos. Armários lotados de importâncias que não suportam mais nada dentro. Não tem onde guardar, não sei como fechar. Vida que eu não queria ter, por que se transborda em mim? Vai brotando feito flor no final de setembro, vai surgindo feito brisa no começo da manhã. Vai a pé porque dói mais. Vai bem longe e não olha pra trás.
quarta-feira, 5 de setembro de 2007
sexta-feira, 31 de agosto de 2007
A vida é curta para ser pequena
Chacal.
No episódio de hoje...
Via um filme e se lembrou do sorriso dele. Não conseguiu mais prestar atenção. Ele parece um ímã que gruda e cola e costura tudo junto, simultaneamente, para nunca mais largar. Ela só acredita que é amor se doer e dói, viu? Dói.
A vida dela é uma clandestinidade sem tamanho e ela sabe que não é fácil vender livro de autor desconhecido. Ela se apóia em alguma parte de sua vida pra tentar justificar a merda que é a outra parte.
Eu te digo que ela furaria o céu se não fosse tão pequena. E digo mais: ela seria feliz para sempre.
No episódio de hoje...
Via um filme e se lembrou do sorriso dele. Não conseguiu mais prestar atenção. Ele parece um ímã que gruda e cola e costura tudo junto, simultaneamente, para nunca mais largar. Ela só acredita que é amor se doer e dói, viu? Dói.
A vida dela é uma clandestinidade sem tamanho e ela sabe que não é fácil vender livro de autor desconhecido. Ela se apóia em alguma parte de sua vida pra tentar justificar a merda que é a outra parte.
Eu te digo que ela furaria o céu se não fosse tão pequena. E digo mais: ela seria feliz para sempre.
domingo, 26 de agosto de 2007
Doutor! Quero um transplante de corpo! Como assim? Assim! Isso mesmo! Quero ser outra pessoa. Decidi que cansei e não quero ser mais eu. Mude já. Mude tudo. Quero andar disfarçado de outra pessoa. Passar desapercebido pelos meus conhecidos. Vou fitá-los de longe, mas para eles não serei mais do que um rosto na multidão. Quero recomeçar. Começar do zenro novamente. Uma segunda chance. Vou fazer diferente. Atar os nós. Não deixar pontas soltas. Essa vida serviu de rascunho. Agora quero passar a limpo.
Sexta
Acordou tão feliz que parecia o último dia de sua vida. Aquela sensação de alívio, de último dia de aula, de último dia no emprego chato, de terminar um namoro quando já se tem um outro amor.
Mas foi só impressão.
Mas foi só impressão.
segunda-feira, 6 de agosto de 2007
Pico de desesperança
Uma pilha de pratos na cozinha e ela espera seu amor passar pela janela com os pés molhados, cabelo na cara, segurando o guarda-chuva. Ela insiste em recolher as peças só para espalhá-las novamente. Livro depressivo em cima da cama porque ela acha bonito chorar. Ele não passa, ela desiste, liga a TV. Se afunda no nada e se distrai vendo o reflexo de seus sonhos em um chão repleto de cacos de vidro. Percebe-se um brilho em seus olhos.
Talvez ela precise dormir.
Talvez ela precise acordar.
Talvez ela precise dormir.
Talvez ela precise acordar.
sábado, 4 de agosto de 2007
O que leva as mulheres a terem essa beleza toda?
O que as leva ter a leveza de uma pena e o peso de uma lágrima?
São sublimes e perversas. Amantes e algozes.
Sentam-se na penumbra, fumam um cigarro e só te deixam ver as pontas do scarpin.
Te seduzem, te comem, te mastigam e te cospem.
Depois olham de costas, com um sorriso no canto da boca.
Secodem os cabelos, dão adeus.
E não voltam nunca mais.
Seu coração fica arrasado. Sua cabeça explode e suas costas queimam.
Mas você não pára de pensar.
O que essa beleza toda? De onde vem?
A frieza de um sorriso. A color de um afago.
Então, mais uma vez, você se vê apaixonado.
O coração não mente, é de verdade.
É hora de deixar toda a tristeza de lado
e começar tudo de novo.
O que as leva ter a leveza de uma pena e o peso de uma lágrima?
São sublimes e perversas. Amantes e algozes.
Sentam-se na penumbra, fumam um cigarro e só te deixam ver as pontas do scarpin.
Te seduzem, te comem, te mastigam e te cospem.
Depois olham de costas, com um sorriso no canto da boca.
Secodem os cabelos, dão adeus.
E não voltam nunca mais.
Seu coração fica arrasado. Sua cabeça explode e suas costas queimam.
Mas você não pára de pensar.
O que essa beleza toda? De onde vem?
A frieza de um sorriso. A color de um afago.
Então, mais uma vez, você se vê apaixonado.
O coração não mente, é de verdade.
É hora de deixar toda a tristeza de lado
e começar tudo de novo.
Do cérebro acorrentado
O que aprisiona a mente?
O que você faz pra se conter dentro de si?
Enquanto o vizinho do seu lado se contorce e inflama.
Você tem mais de mil amarras que te aprisionam.
Ninguém diz o que realmente pensa.
Ninguém fala o que realmente sente.
Sobe no palco, põe a máscara
e acena pra toda a gente.
Ele finge que ama;
ela finge que adora.
E assim caminham juntos,
numa parca sintonia.
A música que toca é a trilha sonora da sua vida.
Mas só se ouve uma nota.
Que se repete, repete, repete muito mais.
E você segue dançando sob o chicote do capataz.
O que você faz pra se conter dentro de si?
Enquanto o vizinho do seu lado se contorce e inflama.
Você tem mais de mil amarras que te aprisionam.
Ninguém diz o que realmente pensa.
Ninguém fala o que realmente sente.
Sobe no palco, põe a máscara
e acena pra toda a gente.
Ele finge que ama;
ela finge que adora.
E assim caminham juntos,
numa parca sintonia.
A música que toca é a trilha sonora da sua vida.
Mas só se ouve uma nota.
Que se repete, repete, repete muito mais.
E você segue dançando sob o chicote do capataz.
quarta-feira, 1 de agosto de 2007
Hoje eu quero sair só
O dia amanhece e ela nem dormiu ainda. Ela se sente engessada. Parece que o coração e as idéias irão atrofiar. Ela ouve Lenine e sente vontade de chorar.
Se você quer me seguir, não é seguro
Você não quer me trancar num quarto escuro
Às vezes parece até que a gente deu um nó
Hoje eu quero sair só
Você não vai me acertar à queima-roupa
Vem cá, me deixa fugir, me beija a boca
Às vezes parece até que a gente deu um nó
Hoje eu quero sair só
Não demora eu tô de volta
Tchau!
Vai ver se eu estou lá na esquina, devo estar
Tchau!
Já deu minha hora e eu não posso ficar
Tchau!
A lua me chama, eu tenho que ir pra rua
Tchau!
A lua me chama, eu tenho que ir pra rua
Se você quer me seguir, não é seguro
Você não quer me trancar num quarto escuro
Às vezes parece até que a gente deu um nó
Hoje eu quero sair só
Você não vai me acertar à queima-roupa
Vem cá, me deixa fugir, me beija a boca
Às vezes parece até que a gente deu um nó
Hoje eu quero sair só
Não demora eu tô de volta
Tchau!
Vai ver se eu estou lá na esquina, devo estar
Tchau!
Já deu minha hora e eu não posso ficar
Tchau!
A lua me chama, eu tenho que ir pra rua
Tchau!
A lua me chama, eu tenho que ir pra rua
Premonições de uma quarta à noite
Me traz uma Smirnoff Ice, por favor. Não, a vermelha mesmo, a preta é meio ruim.
Então, quanto tempo, meu rapaz. Nem esperava seu convite.
Ah, meio igual, meio diferente. Abandonei o trabalho. É, é. Cansei da vida de robozinho, nove às seis, não repete a calça, olha o sapato que não combina. Eu definitivamente não nasci para escritórios. E você, como está a peça? Li ótimas resenhas, preciso ver.
Vi que adaptaram o livro do Galera e a mulher dele é protagonista, você viu? Então, preciso ler o livro, preciso ver o filme... Preciso tanta coisa.
Então, também senti saudade, mas estranho você me procurar agora, depois de sei lá quantos meses. Você não é meu amigo. Eu namoro, você também. Somos apenas duas pessoas que se conheceram numa noite junkie e se viram outras poucas vezes, depois da bebedeira.
Seu cabelo cresceu, você está mais bonito. Pois é, o meu também.
Ó, dessa vez nem vem com história de fumar baseado na sua casa que eu não vou aceitar. Estou limpando o chão da cozinha e ele é branco, tem que ficar perfeito. Estou com mania de perfeição. Preciso ajustar tudo a toda hora.
Me leva pra ver sua peça no final de semana? Eu queria muito que sua namorada sumisse por uns dias com o meu namorado para que a gente pudesse ver a mostra latino-americana de cinema no SESC juntos. Eu gosto do jeito que você olha as coisas e queria aprender esse olhar. Você imita a vida daqueles que não a tem. Um dia você vai interpretar os meus textos e sairemos abraçados e bêbados e gargalhando na Praça Roosevelt, falando de amor e dos filmes do Antonioni que deixamos de ver. Coitado do Antonioni. Um minuto de silencio para sua morte.
[10 segundos e soltamos uma gargalhada estridente na noite fria, subindo a Augusta, entre luvas, cachecóis e sonhos]
Então, quanto tempo, meu rapaz. Nem esperava seu convite.
Ah, meio igual, meio diferente. Abandonei o trabalho. É, é. Cansei da vida de robozinho, nove às seis, não repete a calça, olha o sapato que não combina. Eu definitivamente não nasci para escritórios. E você, como está a peça? Li ótimas resenhas, preciso ver.
Vi que adaptaram o livro do Galera e a mulher dele é protagonista, você viu? Então, preciso ler o livro, preciso ver o filme... Preciso tanta coisa.
Então, também senti saudade, mas estranho você me procurar agora, depois de sei lá quantos meses. Você não é meu amigo. Eu namoro, você também. Somos apenas duas pessoas que se conheceram numa noite junkie e se viram outras poucas vezes, depois da bebedeira.
Seu cabelo cresceu, você está mais bonito. Pois é, o meu também.
Ó, dessa vez nem vem com história de fumar baseado na sua casa que eu não vou aceitar. Estou limpando o chão da cozinha e ele é branco, tem que ficar perfeito. Estou com mania de perfeição. Preciso ajustar tudo a toda hora.
Me leva pra ver sua peça no final de semana? Eu queria muito que sua namorada sumisse por uns dias com o meu namorado para que a gente pudesse ver a mostra latino-americana de cinema no SESC juntos. Eu gosto do jeito que você olha as coisas e queria aprender esse olhar. Você imita a vida daqueles que não a tem. Um dia você vai interpretar os meus textos e sairemos abraçados e bêbados e gargalhando na Praça Roosevelt, falando de amor e dos filmes do Antonioni que deixamos de ver. Coitado do Antonioni. Um minuto de silencio para sua morte.
[10 segundos e soltamos uma gargalhada estridente na noite fria, subindo a Augusta, entre luvas, cachecóis e sonhos]
segunda-feira, 30 de julho de 2007
Um mês depois do aniversário, encerrava tudo. Um mês depois da data na qual já não mais desejava estar junto. Os olhares não cruzariam mais, estava certo. Agora, apenas um perseguiria o outro. Enquanto um olhava, o outro desolhava. E assim seguiriam na brincadeira de gata e rato, sempre revezando os papés. Alternando suas culpas e culpando-se alternadamente. E depois seria assim. Um amontoado de gestos e gritos e lágrimas jogadas ao vazio. Um pilha de emoções arrebatadoras, que não se tinha idéia do que fazer com elas. Muita coisa era nova. Mas a dor...ah, essa já é antiga. Sempre esteve rondando, feito lobo faminto que espera a chance de atacar. Quando sentiu a oportunidade, tomou a carne para si e fez dela arma. Lutou e digladiou-se até cair no chão. E sentado ficou, sozinho.
Cena
Morra.
Parta-se ao meio e deixe que eu veja escorrer de você toda a sua hipocrisia.
Queria ver a cor que tem sua falta de caráter.
A mentira eu sei que não dá pra ver, mas a gente sente o cheiro.
Você persegue e a encontra.
Ali. Parada.
Com cara de quem não sabe de nada.
Eu não sinto nem pena. Eu não sinto nada.
Pra mim você é, no máximo, isso.
Nada.
Parta-se ao meio e deixe que eu veja escorrer de você toda a sua hipocrisia.
Queria ver a cor que tem sua falta de caráter.
A mentira eu sei que não dá pra ver, mas a gente sente o cheiro.
Você persegue e a encontra.
Ali. Parada.
Com cara de quem não sabe de nada.
Eu não sinto nem pena. Eu não sinto nada.
Pra mim você é, no máximo, isso.
Nada.
sexta-feira, 20 de julho de 2007
segunda-feira, 16 de julho de 2007
domingo, 15 de julho de 2007
quarta-feira, 11 de julho de 2007
Visão de mundo
O mundo às vezes parece fazer parte de uma coisa tão pequenininha que até cabe no bolso. Você se senta na gangorra do parque e, PUF, o mundo caiu no chão. Despedaçou-se o mundo. Ficou todo sujo de terra e pedrinhas e restos de pipoca doce. Formiguinhas agora andam de um lado para o outro. No mundo. Morde e ele fica inchado, cresce de novo, parece até que tem gente dentro.
Será que tem gente dentro?
Será que tem gente dentro?
sexta-feira, 6 de julho de 2007
Encontro
Estava andando no Centro da Cidade, como fazia às vezes, meio preocupado e sonolento, após o almoço de cada dia. Imaginava que as pessoas sempre seguem uma rotina, até nos pequenos atos do dia-a-dia. Quando se observa muito tempo pode-se prever até o lado pro qual elas se desviam, para evitar esbarrarem umas nas outras, o que seria como uma peça que range numa estrutura bem organizada. Entrar em contato físico com um outro alguém desconhecido é algo incabível. Pior ainda: a idéia de tocar um olhar alheio no meio de tantos é de apavorar qualquer transeunte. O que aqueles olhos poderiam dizer? Imagine se neles encontrarem as respostas de perguntas que nem conhecem ainda? Um horror!
Frequentemente tinha a impressão de que até as rotas escolhidas pelas calçadas eram as mesmas. Foi em meio ao relógio adiantado da cidade que reparou um prédio que, até ontem, parecia nunca ter estado ali. Mas agora se punha no meio dos arranha-céus como se fosse parte da paisagem. Será que ninguém notava? Todos passavam, indiferentes. Como não haviam reparado que agora jazia entre dois prédios comerciais uma torre. Sim, daquelas torres medievais, sem portas embaixo, tampouco escadaria. Apenas uma janelinha solitária lá no alto.
Passou então a parar na sua frente, todo dia, para admirar a mais nova descoberta. Era uma torre bem bonita, apesar de aparentar bastante idade. Idade suficiente para estar ali desde muito antes de haver alguém ali.
Era uma sexta-feira preguiçosa. O horário do almoço marcava a metade do tempo restante para a liberdade controlada do fim de semana. Foi quando a viu pela primeira vez. Passava os olhos corriqueiramente pela janelinha de pedra quando reparou que havia algo diferente. Uma figura lançava seus olhares ao infinito, na direção do sol e do mar. Os cabelos - negros, às vezes vermelhos - revoavam e alguns fios acariciavam seu rosto, fazendo o nariz coçar. A pele era alva, roseando nos lábios. Os olhos eram a noite em forma de pérolas.
Ficou congelado. Petrificado por fora. Por dentro, era o carnaval de turbilhões. Calor e frio atingiam seu corpo. Não sabia explicar, mas parecia ter engolido um redemoinho. Sentia uma pontada tenra no peito. Sabia que precisava falar a esta moça, mas não tinha idéia de como. Pensou em pedir para que jogasse suas tranças, mas, além de ter certeza de que não o ouviria por causa do barulho dos carros, tinha o cabelo curto.
Neste momento um raio pareceu tê-lo atingido. Foi tomado por algo tão grande e avassalador, que mal podia ficar de pé. Se encolheu, para tentar recuperar o fôlego, e passou a sentir um formigamento nas costas. Mal esticou o braço para ver o que era e, num estrondo que só se ouviu em seus ouvidos, duas imensas asas brotaram de suas costas. Eram branquíssimas como as nuvens de manhã de inverno, e macias e quentes.
Quando deu por si, já havia decolado e estava em disparada em direção àquela janelinha, que parecia prometer-lhe tudo. Por alguns segundos, que pareceram séculos, sentiu a brisa suave tocando sua face e anunciando tudo de bom. Ao atingir a altura da janela, fitou-a por um momento e pousou no parapeito.
Então, antes que ele pudesse abrir a boca, ela disse: -"Me leva."
E foram embora. Voando.
Frequentemente tinha a impressão de que até as rotas escolhidas pelas calçadas eram as mesmas. Foi em meio ao relógio adiantado da cidade que reparou um prédio que, até ontem, parecia nunca ter estado ali. Mas agora se punha no meio dos arranha-céus como se fosse parte da paisagem. Será que ninguém notava? Todos passavam, indiferentes. Como não haviam reparado que agora jazia entre dois prédios comerciais uma torre. Sim, daquelas torres medievais, sem portas embaixo, tampouco escadaria. Apenas uma janelinha solitária lá no alto.
Passou então a parar na sua frente, todo dia, para admirar a mais nova descoberta. Era uma torre bem bonita, apesar de aparentar bastante idade. Idade suficiente para estar ali desde muito antes de haver alguém ali.
Era uma sexta-feira preguiçosa. O horário do almoço marcava a metade do tempo restante para a liberdade controlada do fim de semana. Foi quando a viu pela primeira vez. Passava os olhos corriqueiramente pela janelinha de pedra quando reparou que havia algo diferente. Uma figura lançava seus olhares ao infinito, na direção do sol e do mar. Os cabelos - negros, às vezes vermelhos - revoavam e alguns fios acariciavam seu rosto, fazendo o nariz coçar. A pele era alva, roseando nos lábios. Os olhos eram a noite em forma de pérolas.
Ficou congelado. Petrificado por fora. Por dentro, era o carnaval de turbilhões. Calor e frio atingiam seu corpo. Não sabia explicar, mas parecia ter engolido um redemoinho. Sentia uma pontada tenra no peito. Sabia que precisava falar a esta moça, mas não tinha idéia de como. Pensou em pedir para que jogasse suas tranças, mas, além de ter certeza de que não o ouviria por causa do barulho dos carros, tinha o cabelo curto.
Neste momento um raio pareceu tê-lo atingido. Foi tomado por algo tão grande e avassalador, que mal podia ficar de pé. Se encolheu, para tentar recuperar o fôlego, e passou a sentir um formigamento nas costas. Mal esticou o braço para ver o que era e, num estrondo que só se ouviu em seus ouvidos, duas imensas asas brotaram de suas costas. Eram branquíssimas como as nuvens de manhã de inverno, e macias e quentes.
Quando deu por si, já havia decolado e estava em disparada em direção àquela janelinha, que parecia prometer-lhe tudo. Por alguns segundos, que pareceram séculos, sentiu a brisa suave tocando sua face e anunciando tudo de bom. Ao atingir a altura da janela, fitou-a por um momento e pousou no parapeito.
Então, antes que ele pudesse abrir a boca, ela disse: -"Me leva."
E foram embora. Voando.
Ontem senti dor. Começou como dor de coração, mas logo passou para dor no coração. Aquela que arde feito agonia profunda dentro do peito, trava a garganta bem na região de dizer coisas e sobe pros olhos, onde, vendo o mundo lá fora, condensa e escorre pela face. As orelhas ardem, a nuca arrepia, o estômago embrulha e você implode. Assim morre alguma coisa. Assim se tem a plena noção da lágrima que foge por entre os dedos. Assim morre um sentimento que não quer morrer. Assim tentam matar quem insiste em viver, nem que seja na fantasia de uma vida boa.
domingo, 1 de julho de 2007
Um contato. Uma troca de olhares. Um oi. Dois beijinhos. É o que basta para a cabeça rodar em mil turbilhões por segundo. É o suficiente para desmoronar o muro construído com tanto sacrifício. E então, certa indiferença. Aquela que faz ir embora, sentar e encarar o painel do carro. Ficar alguns minutos parado, sem saber ao certo o que pensar. Sem saber nem se algo deve ser pensado. Na volta pra casa, o pé colado no acelerador e o ponteiro que marca 160, como numa tentativa vã de fugir. Mas não se pode fugir daquilo que habita dentro de si. O vento gelado da madrugada bate no rosto e leva consigo algumas lágrimas perdidas. Em alguns minutos, uma ligação. Apenas uma. Um convite. É o que basta para a cabeça explodir em perguntas e esperanças que parecem irreais, e ser transportada pra outra dimensão. E é onde estou agora. Uma outra dimensão. Uma sétima dimensão. Aquela onde nada faz sentido. Aquela onde o mero conceito de algo fazer sentido já não faz sentido por si só.
É uma sala escura, com apenas alguns vagalumes. Somente me resta tentar apanhar quantos eu conseguir, em meio a esse caos obscuro, e ler as mensagens que carregam dentro de suas lâmpadas. O que poderiam me dizer? Sim, vagalumes, por favor, em seu balé pelo breu da madrugada; em sua dança estranha nos confins da minha mente, se juntem e iluminem meus pensamentos. Preciso enxergar com clareza, para o coração não tropeçar. De novo.
É uma sala escura, com apenas alguns vagalumes. Somente me resta tentar apanhar quantos eu conseguir, em meio a esse caos obscuro, e ler as mensagens que carregam dentro de suas lâmpadas. O que poderiam me dizer? Sim, vagalumes, por favor, em seu balé pelo breu da madrugada; em sua dança estranha nos confins da minha mente, se juntem e iluminem meus pensamentos. Preciso enxergar com clareza, para o coração não tropeçar. De novo.
sexta-feira, 22 de junho de 2007
Nos olhos do touro
Estamos parados. E parados nos fitamos. Analiso cada centímetro daquele imenso animal. Daqui, de perto, ele é muito mais bonito. Caminha majestoso, enquanto bufa pavor e ódio. Estamos cansados, porém, o instinto de sobrevivência fala mais alto. Nos observamos e estudamos cada movimento. Calculamos cada centímetro. Cada músculo se move milimetricamente, segundo nossos comandos. Feixes disparando feixes, do cérebro à carne. Alimentamos admiração e raiva, um do outro. E, em ambos os casos, uma raiva que nos foi imposta. Nenhum de nós sabe direito o que está fazendo ali. Apenas sabe-se que há muito é assim. Então, damos água a esta semente ruim que vai germinar. Sentimos a ira crescer dentro de nós, até o ponto onde não se pode aguentar. Então, num rugido sincronizado, partimos um em direção ao outro. Fecho os olhos. Estou acordado. E dormindo. Estou e sou ao mesmo tempo. Abro os olhos. Meu negro amigo caninha a meu lado. Não se sabe há quanto tempo. Apenas sabe-se que há muito é assim.
Pássaros
Um dia alguém que carregava um sonho, pesado demais para si só, deixou-o cair no chão. Tal qual espelho, partiu em mil pedacinhos. Foi então, no exato instante de tocar o chão, que cada pedaço ganhou cor própria e virou um pássaro, explodindo em intensa revoada. As pessoas ao redor se espantaram, e tentaram acompanhar o vôo de cada um. Alguns foram em direção ao pôr-do-sol, outros pousaram nas cabeças das pessoas que passavam e outros tantos entraram nas janelas que estavam abertas. Alguns tentaram entrar nas janelas fechadas, mas nessas geralmente se cultiva ratos, que não são uma boa companhia pra uma ave colorida. Ao entrarem nas casas, logo acharam um prego desavisado na parede, ou um móvel de canto, onde se estabeleceram e fizeram ninho. Assim, mais uma vez se transmutaram e novamente se fizeram espelho. Um espelho especial, que refletia nas suas imagens um pedaço daquele primeiro sonho pesado, que agora era leve e carregado por muitos.
Tempo
Se, neste nosso planetinha, Gaia é a mãe de tudo, com certeza O Tempo é o pai. Um pai que é severo, mas também alivia a barra. Aquele que condena e também salva. E em todos os seus aspectos, o tempo varia entre o bem e o mal. Ele te ajuda a esquecer. E te ajuda a esquecer. Ele alivia as feridas, mas também consolida a mágoa. E mesmo quando é linha, faz-se duplo; como quando a pessoa nasce e vai ficando mais velha, até chegar à idade adulta, sempre progredindo para o auge. Porém, em um segundo você dobra a esquina e vêm a decadência da carne. Dois. O tempo é um e é dois. Se você está no meio, ele corre metade pra cada lado. Se você está correndo atrás dele, ele também está correndo atrás de você. E no fim, sempre alcança. Alcança a tudo e há todos. Não há mal que não desfaça. Mesmo que sendo apagando da memória. Nada escapa dele.
terça-feira, 19 de junho de 2007
Coração de papel
Ela gostava de Sérgio Reis e sentia frio na barriga só de pensar que o veria depois de tanto tempo. "Não há nada de novo, ainda somos iguais", pensava ela como o moço que quase morreu depois de tantas letras lindas. Deus não mata quem faz letras lindas porque, veja bem, matar poetas não é de Deus.
Vestido de bolinha, penteado anos dourados, óculos escuros.
Ela chega. Ela o vê. Borboletas por toda parte. Ela sorri e se alegra e se encanta e ele se aproxima. Borboletas por toda parte. Eles se abraçam e o mundo todo cabe ali dentro, porque o mundo inteiro se reduz a momentos como esse. Pequenas grandezas da vida. Eles estão felizes. Eles cabem dentro do mesmo abraço e se aquecem um do outro da ternura de saber que existem juntos naquele momento. Dois sóis em um planeta de ternura. Porque o abraço é um planeta de ternura. Cabe tanta coisa dentro.
O tanto, quando muito, aquece. O tanto, quando pouco, sangra.
É noite e eles são sóis. Sós.
Vestido de bolinha, penteado anos dourados, óculos escuros.
Ela chega. Ela o vê. Borboletas por toda parte. Ela sorri e se alegra e se encanta e ele se aproxima. Borboletas por toda parte. Eles se abraçam e o mundo todo cabe ali dentro, porque o mundo inteiro se reduz a momentos como esse. Pequenas grandezas da vida. Eles estão felizes. Eles cabem dentro do mesmo abraço e se aquecem um do outro da ternura de saber que existem juntos naquele momento. Dois sóis em um planeta de ternura. Porque o abraço é um planeta de ternura. Cabe tanta coisa dentro.
O tanto, quando muito, aquece. O tanto, quando pouco, sangra.
É noite e eles são sóis. Sós.
A menina que odiava calendários
Fui buiscar no aeroporto.
Sim, tinha que ser aeroporto, que é chique e a cara dela.
Cheguei no aeroporto às 19h . O vôo tava marcado pras 19:30, mas no placar do aeroporto, aquele com aquelas letras que rodam, me deizia: "atrasado". Bem, o que fazer? Revistam. Quadrinhos, pra não perder o costume. A chiclete com banana hyavia voltado e eu estava a fim de ler. Comprei, sentei e li. Reli. E li mais uma vez. Então
O vôo confirmado pras 22:15. Calculei pelo horário que você chegaria umas 15 pras 11. Exatamente ás 23:47 você apareceu no portãozinho. De vestido de bolinhas, acenou com um lencinho. Eu corri entre a multidão. Você também. Paramos, nos entreolhamos e você deixou as malas caírem no chão.
Nos abraçamos. Eeeeeeeee!! E ponto. Foi isso. Aí então tudo congelou. Me senti entrando num filme, onde a câmera girava a nosso redor. Juro que conseguia ouvir, ao fundo, a musiquinha da Amélie Poulain. Até hoje não sei se vinha da loja de cds, ou era coisa da minha cabeça, mas, enfim... Lágrimas e carinhos depois, só então reparei que você estava de óculos escuros. Dei um risinho...você continuava sem noção. Pego suas malas e vamos ao estacionamento. Antes de eu partir com o carro, você me pergunta aonde vamos. Não sei. Até então não havia parado pra pensar nisso...e essa era a graça toda.
Sim, tinha que ser aeroporto, que é chique e a cara dela.
Cheguei no aeroporto às 19h . O vôo tava marcado pras 19:30, mas no placar do aeroporto, aquele com aquelas letras que rodam, me deizia: "atrasado". Bem, o que fazer? Revistam. Quadrinhos, pra não perder o costume. A chiclete com banana hyavia voltado e eu estava a fim de ler. Comprei, sentei e li. Reli. E li mais uma vez. Então
O vôo confirmado pras 22:15. Calculei pelo horário que você chegaria umas 15 pras 11. Exatamente ás 23:47 você apareceu no portãozinho. De vestido de bolinhas, acenou com um lencinho. Eu corri entre a multidão. Você também. Paramos, nos entreolhamos e você deixou as malas caírem no chão.
Nos abraçamos. Eeeeeeeee!! E ponto. Foi isso. Aí então tudo congelou. Me senti entrando num filme, onde a câmera girava a nosso redor. Juro que conseguia ouvir, ao fundo, a musiquinha da Amélie Poulain. Até hoje não sei se vinha da loja de cds, ou era coisa da minha cabeça, mas, enfim... Lágrimas e carinhos depois, só então reparei que você estava de óculos escuros. Dei um risinho...você continuava sem noção. Pego suas malas e vamos ao estacionamento. Antes de eu partir com o carro, você me pergunta aonde vamos. Não sei. Até então não havia parado pra pensar nisso...e essa era a graça toda.
segunda-feira, 18 de junho de 2007
Sobre
Sinto a explosão dos seus, quando me transformo Deus.
Quando me transformo em nada.
Quando te bebo, quando te esqueço.
Quando sou pó no deserto.
Quando sou só no deserto.
Te cheiro pó. Te vejo só.
No deserto.
Quando me transformo em nada.
Quando te bebo, quando te esqueço.
Quando sou pó no deserto.
Quando sou só no deserto.
Te cheiro pó. Te vejo só.
No deserto.
Apresentando Thiago
E aí que eu e o Thiago resolvemos escrever em parceria porque a gente já faz tanto disso no dia-a-dia e às vezes é tão bonito que dá vontade de mostrar para outras pessoas. Exibidos. Bêbados. Sonhadores. Decadentes.
O Thiago é, disparado, a pessoa que mais compartilha das minhas filosofias de boteco. Entende e acrescenta, com seu sotaque e bigodinho, novos conceitos sobre sonhos, vida, sociedade e vadiagens em geral.
Senhoras e senhores, com vocês, Thiago Carvalho.
O Thiago é, disparado, a pessoa que mais compartilha das minhas filosofias de boteco. Entende e acrescenta, com seu sotaque e bigodinho, novos conceitos sobre sonhos, vida, sociedade e vadiagens em geral.
Senhoras e senhores, com vocês, Thiago Carvalho.
Apresentando Daia
Um dia apareceu uma borboleta. Mas ela nunca havia sido uma lagarta, tampouco crisálida. Não tinha passado meses comendo folhas amargas e nem outros tantos apertada num casulo. Essa borboleta veio de outro lugar. Um lugar que não se entende muito bem como é e nem onde fica. Apenas sabe-se que lá as borboletas já nascem coloridas, se alimentam de sonho, passam tempos voando por campos verdinhos, sob a luz do sol de começo de inverno, até que resolvem voar pelo espaço e pelas dimensões. Foi assim que ela veio até aqui. Voando pelo espaço, pelas galáxias e pelas vidas. Foi assim que ela chegou até mim. Pousou no meu dedo e me disse: "Oi, sou a Daia. Sou uma borboleta." Então eu abri a porta do meu peito e dei um espaço no meu coração, pra ela se abrigar nos dias de chuva.
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