terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Praça pública

Ele apareceu de mansinho contando os passos e sussurrou um oi tão tímido que até me fez corar por compaixão. Puxou a cadeira já se desculpando pelo barulho do arrastão. Fiz que não era nada. Fingi não notar que ele perdeu algum tempo arrumando o cabelo e escolhendo os sapatos. Ele ajusta os dedos compridos que enfeitam as mãos largas que seguram o violão. Estremeço. Ele fecha os olhos e canta qualquer coisa de amor que mesmo se não fosse amor já seria lindo demais. Esse menino é a música mais bonita que eu ouvi nesse verão.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Eufemismos são a salvação dos reprimidos.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Mulheres da minha vida

Queria poder juntar em uma só pessoa o que há de melhor nas mulheres que conheci. O carinho de Carina. A admiração de Conceição. A fidelidade de Flávia. A amizade de Adelaide. A poesia de Maria. A alegria de Aline. O sexo de Sara. O tesão por Gabriela.
Mas infelizmente não posso. Tenho apenas ela: impenetrável, blindada, indiferente aos meus afetos. Que me faz querer ser completo, mas que só me deixa com metade. Queria ser todos em um pra você, mas estou começando a esquecer quem sou...

terça-feira, 3 de junho de 2008

Epilepsia

sonhei um sonho de antecipação
um aviso, uma contra-mão
uma impressão ruim
sonhei com as palavras que meus filhos vão escrever de mim

nem um adorno sequer
uma imagem qualquer
pra se desfazer assim
no país onde os campos de girassóis não têm fim

as figuras são sintéticas
as metáforas são herméticas
pro meu código epilético
não me resta solução

se às pessoas sou alérgico
então reago tão enérgico
em atitudes (erráticas) epiléticas
me eximo de confusão

paro os meus sentidos
pra evitar o erros sofridos
durante toda falta de bom senso
cortesia agora teu nome é paradoxo

e por fim, de que adianta
pôr a mesa todo dia
por anos e anos a fio
vivendo pendurado na ponta de um pavio

quarta-feira, 14 de maio de 2008

é madrugada
estou sozinho
a música enche a minha casa

notas suaves que voam em pequenas cores
uma fumaça antiga
uma velha cantiga

não me preocupo em fazer senso
apenas registro meu pensamento
da maneira que escorrega
pelos meus dedos

estou madrugada
é sozinho
a casa enche a minha música

acordo nos sinais
que zumbem em meus ouvidos
dizendo que salvam-se poucos entre mortos e feridos

num toque de champanhe
em suas palavras doces
uma voz rascante
me enche de falsas promessas

estou à minha casa
a madrugada enche
minha música sozinho

terça-feira, 29 de abril de 2008

o que eu preciso é saber
é saber o que eu preciso

enquanto todos alam
eu injo que entendo
balanço a cabeça
em also cumprimento

cumpro suas vontades
tolero seus excessos
brindamos à amiade
com risadas e incensos

o que eu preciso é saber
é saber o que eu preciso

duro, o coração
diícil de segurar
procurando em vão
um lugar para icar

me mastigo e me distraio
com um vapor barato
em um tubo de ensaio
me torno inexato

o que eu preciso é saber
é saber o que eu preciso

vai saber
que é vontade estranha
se no peito me arranha
me a enlouquecer

me dier
que a sina não é tamanha
se no peito me entranha
me a esmorecer

o que eu preciso é saber
é saber o que eu preciso

quinta-feira, 10 de abril de 2008

como ruga da velhice chegando
a dor está estampada no meu rosto
qual tatuagem doída
a qual só se tem desgosto

vou usando as pessoas
sugando sua essência
enquanto eu as conheço
me encanta a experiência

depois vem a rotina
do mundo exterior
o último gole do copo
a fonte já secou

depois de cinco dias
o prazo de validade já se esgotou
e da maneira como começou
sumiu sem deixar pistas

me desperço na fumaça de um livro
solidão pra mim é mais que um castigo
e sem mais meia palavra
o mundo me desaba

combato o lirismo
caio em contradição
o mundo é um abismo
que eu escalo com as mãos