sábado, 22 de dezembro de 2007

tem gente que envelhece ainda novo
e se torna um estorvo
ao simples ato de respirar

tem gente que perde o controle
tira o livro da estante
e começa a recitar

todos os caminhos que eu trilho
são de minha autoria
essa é minha agonia
que eu alimento e crio

no olhar, sem mais um brilho
pois é época de estio
as que eu tenho, eu junto
algumas poucas eu deixo rolar

e numa poesia fuleira
largada ao pé de uma cadeira
brota uma flor seca
e que não cheira

mas pra acabar com a brincadeira
sem levantar muita poeria
vai saindo de fininho
como discreta betoneira

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

veja que ser deprimente
sempre esteve ausente
do dia a dia de si mesmo

agora circula nos corredores
por entre olhos marejados
que carregam na dor, uma ponta de egoísmo

na batida da madrugada
se inebria e embriaga
buscando uma solução

mas morte, com faca se afaga
e se o veneno se estraga
não preciso de poção

mas se faço da cruz um caminho
não me vejo sozinho
num facho de luz

suporto, da rosa, o espinho
de perfume macio
e que me seduz

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

furei um coração
com agulha de pretensão
pra escorrer a paixão
gota a gota, grão em grão

sangrei os olhos
desfiz em lágrimas
acordei eufórico
sem mágoas

sonhei ser avião
uma máquina, uma televisão
com vista pro verão
de fundos pra ilusão

dormi escondido
no travesseiro
sou foragido
sou forasteiro

de uma beleza rara
com uma pureza clara
para uma estranheza cara
a qual certeza idolatra?

pra sempre serena
guardada na memória
e se valeu a pena
já virou história

sábado, 8 de dezembro de 2007

Parado
Imóvel.
Estático.
Congelado.
Calado.

Fecho os olhos.
Meus joelhos dobram.
Já sentem o peso de tudo o que um dia ignoraram.

E à vitória
em cada passo
seguem tantas outras derrotas que não lembro mais.

E sou confuso.
Imediato.
Um dente incluso,
é dor de fato.

Se é pra sair
no fim do primeiro ato.
Levanto, calço os sapatos.
E sigo, inconformado.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

eles querem me derrubar
mas não vão conseguir
pois eu tenho em mim a pureza da brisa e do sol da manhã