quarta-feira, 26 de março de 2008

às vezes algumas coisas ficam tão longe...

domingo, 16 de março de 2008

Sobrevivendo sem um arranhão

Andei meio desligada.
Por longos meses achei que os monstros adormeciam comigo no quarto escuro, enquanto a vida real passava com os dias e os semáforos e as mentiras.
Minhas poesias, sempre tão reais. Tão ali debaixo dos olhos, escancaradas na gaveta aberta que eu fingi esquecer de fechar.
Um mundo de sonhos só meus e tão meus. Minhas dores e angústias atrás de um sorriso bonito enfeitando a estante. A melhor amiga por falta de opção.
E por falar em escolhas, só tinha duas: ter ou perder. Nenhuma era boa o bastante para satisfazer meu desejo enorme e sincero de unidade. Desisti. Por medo, por covardia. Por acreditar que era mais uma ilusão no meio de tantas outras que se passaram. Fiquei a chorar baixinho pelos cantos sem ninguém saber, porque é pior quando vem à tona. Gosto de fogos, mas os barulhos me assustam. É como o relâmpago e o trovão. Não sei lidar com fenômenos.
Querendo mais que antes e podendo cada dia menos. Aquele sorriso lindo que nunca sai de forma. A doçura de existir nessa imensidão dentro de mim. Vive forte e alegre aqui dentro. Personagem real da história mais linda que criei pra mim.
As lindas histórias de amor, um belo dia, vão se juntar ao planeta das tampinhas de caneta. Não sabemos onde fica, mas sabemos que estão lá, no horizonte perdido.
Não me importo mais com as falsas esperanças. Preciso delas para continuar.

domingo, 9 de março de 2008

As meias não têm pares, na minha casa.
Elas se divorciam ao entrarem na gaveta.

sábado, 1 de março de 2008

e o coração?
secou?
desiludiu?
gastou?

numa tempestade de sentimentos
o que não chove no momento
depois vira mágoa

se não se livra do tormento
mesmo que sem o intento
machuca-se o karma

então se vira
dê a volta
ou passe por cima
mas passe, arregace
não apenas ameace
estou cansado de viver correndo
amuado, acuado
eternamente em desespero

me encontro encurralado
onde os dias passam rápido
e as noites longas

desvio de balas
eu ujo de olhares
que me cercam e me procuram

e numa noite de névoa
um vinho da reserva
de 1981
avinagrou

uma viagem sem ida
é a dor não vivida
e se a procura é alida
não guarde rancor


e no inal da missão
mantenha a respiração
a vista limpa
e a memória clara