Andei meio desligada.
Por longos meses achei que os monstros adormeciam comigo no quarto escuro, enquanto a vida real passava com os dias e os semáforos e as mentiras.
Minhas poesias, sempre tão reais. Tão ali debaixo dos olhos, escancaradas na gaveta aberta que eu fingi esquecer de fechar.
Um mundo de sonhos só meus e tão meus. Minhas dores e angústias atrás de um sorriso bonito enfeitando a estante. A melhor amiga por falta de opção.
E por falar em escolhas, só tinha duas: ter ou perder. Nenhuma era boa o bastante para satisfazer meu desejo enorme e sincero de unidade. Desisti. Por medo, por covardia. Por acreditar que era mais uma ilusão no meio de tantas outras que se passaram. Fiquei a chorar baixinho pelos cantos sem ninguém saber, porque é pior quando vem à tona. Gosto de fogos, mas os barulhos me assustam. É como o relâmpago e o trovão. Não sei lidar com fenômenos.
Querendo mais que antes e podendo cada dia menos. Aquele sorriso lindo que nunca sai de forma. A doçura de existir nessa imensidão dentro de mim. Vive forte e alegre aqui dentro. Personagem real da história mais linda que criei pra mim.
As lindas histórias de amor, um belo dia, vão se juntar ao planeta das tampinhas de caneta. Não sabemos onde fica, mas sabemos que estão lá, no horizonte perdido.
Não me importo mais com as falsas esperanças. Preciso delas para continuar.
domingo, 16 de março de 2008
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Um comentário:
Belíssimo! NO melhor estilo! bj!
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