sexta-feira, 22 de junho de 2007
Nos olhos do touro
Estamos parados. E parados nos fitamos. Analiso cada centímetro daquele imenso animal. Daqui, de perto, ele é muito mais bonito. Caminha majestoso, enquanto bufa pavor e ódio. Estamos cansados, porém, o instinto de sobrevivência fala mais alto. Nos observamos e estudamos cada movimento. Calculamos cada centímetro. Cada músculo se move milimetricamente, segundo nossos comandos. Feixes disparando feixes, do cérebro à carne. Alimentamos admiração e raiva, um do outro. E, em ambos os casos, uma raiva que nos foi imposta. Nenhum de nós sabe direito o que está fazendo ali. Apenas sabe-se que há muito é assim. Então, damos água a esta semente ruim que vai germinar. Sentimos a ira crescer dentro de nós, até o ponto onde não se pode aguentar. Então, num rugido sincronizado, partimos um em direção ao outro. Fecho os olhos. Estou acordado. E dormindo. Estou e sou ao mesmo tempo. Abro os olhos. Meu negro amigo caninha a meu lado. Não se sabe há quanto tempo. Apenas sabe-se que há muito é assim.
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