terça-feira, 19 de junho de 2007

Coração de papel

Ela gostava de Sérgio Reis e sentia frio na barriga só de pensar que o veria depois de tanto tempo. "Não há nada de novo, ainda somos iguais", pensava ela como o moço que quase morreu depois de tantas letras lindas. Deus não mata quem faz letras lindas porque, veja bem, matar poetas não é de Deus.

Vestido de bolinha, penteado anos dourados, óculos escuros.

Ela chega. Ela o vê. Borboletas por toda parte. Ela sorri e se alegra e se encanta e ele se aproxima. Borboletas por toda parte. Eles se abraçam e o mundo todo cabe ali dentro, porque o mundo inteiro se reduz a momentos como esse. Pequenas grandezas da vida. Eles estão felizes. Eles cabem dentro do mesmo abraço e se aquecem um do outro da ternura de saber que existem juntos naquele momento. Dois sóis em um planeta de ternura. Porque o abraço é um planeta de ternura. Cabe tanta coisa dentro.

O tanto, quando muito, aquece. O tanto, quando pouco, sangra.

É noite e eles são sóis. Sós.

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