domingo, 1 de julho de 2007

Um contato. Uma troca de olhares. Um oi. Dois beijinhos. É o que basta para a cabeça rodar em mil turbilhões por segundo. É o suficiente para desmoronar o muro construído com tanto sacrifício. E então, certa indiferença. Aquela que faz ir embora, sentar e encarar o painel do carro. Ficar alguns minutos parado, sem saber ao certo o que pensar. Sem saber nem se algo deve ser pensado. Na volta pra casa, o pé colado no acelerador e o ponteiro que marca 160, como numa tentativa vã de fugir. Mas não se pode fugir daquilo que habita dentro de si. O vento gelado da madrugada bate no rosto e leva consigo algumas lágrimas perdidas. Em alguns minutos, uma ligação. Apenas uma. Um convite. É o que basta para a cabeça explodir em perguntas e esperanças que parecem irreais, e ser transportada pra outra dimensão. E é onde estou agora. Uma outra dimensão. Uma sétima dimensão. Aquela onde nada faz sentido. Aquela onde o mero conceito de algo fazer sentido já não faz sentido por si só.
É uma sala escura, com apenas alguns vagalumes. Somente me resta tentar apanhar quantos eu conseguir, em meio a esse caos obscuro, e ler as mensagens que carregam dentro de suas lâmpadas. O que poderiam me dizer? Sim, vagalumes, por favor, em seu balé pelo breu da madrugada; em sua dança estranha nos confins da minha mente, se juntem e iluminem meus pensamentos. Preciso enxergar com clareza, para o coração não tropeçar. De novo.

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